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  • Diana Luzio Alves

O que deve responder quando a pessoa com demência diz “Quero ir para minha casa”

Atualizado: 18 de Jan de 2019


Na semana passada vimos as razões que podem levar a pessoa com demência a dizer “Quero ir para minha casa”. Se ainda não o leu, pare imediatamente, vá a aqui e leia o artigo, muito provavelmente vai ficar surpreendida! Como foi referido, esta é uma expressão muito comum. É habitualmente dita pelas pessoas com demência um pouco por todo o mundo, mesmo quando a pessoa se encontra na casa em que reside há décadas!


Agora que sabemos o verdadeiro significado desta frase – e que normalmente não corresponde ao que é efetivamente dito – é necessário saber como reagir e o que se deve responder.


Para a sua própria paz de espírito, é importante que não leve “a peito”. Devido às mudanças que acontecem num cérebro com doença de Alzheimer, a pessoa pode não conseguir controlar o que está a dizer ou, até, pode não encontrar as palavras certas para expressar os seus pensamentos verdadeiros. Ou, por outro lado, a pessoa está a sentir-se insegura ou confusa com a circunstância atual.


A única coisa que efetivamente funciona na maioria das vezes é


tranquilidade.




Então, como reagir, como responder?


Em vez de dizer a uma pessoa com doença de Alzheimer, “Está na sua casa”, ou “Não podemos ir já para casa”, tente o seguinte:


“Sim, vamos para casa. Mas por enquanto fica aqui comigo?”


Antes de começar esta conversa, deve colocar o braço à volta da pessoa, colocar cabeça sobre cabeça (basicamente, prenda-se a ela de forma carinhosa) e depois fale em voz baixa, quente, suave e reconfortante.


De facto, a confiança constante e repetida dia após dia tem um efeito cumulativo, tornando a pessoa com demência mais amável e gentil.


Este efeito ajuda a pessoa a sentir-se mais segura e mais confiante em si. Pode testar e vai começar a confirmar o que lhe estou a transmitir. Pode também avaliar o olhar no rosto da pessoa que vive com demência. O que lhe diz? O seu ente precisa de alguma segurança neste momento? Um braço à volta do ombro? E se lhe desse tudo, um abraço de corpo inteiro?



Assim que o cuidador começar a dar um pequeno sorriso mais vezes, ao longo do tempo, começará a ter o sorriso de volta, e chegará a uma conclusão simples: está no caminho da alegria. No caminho. Não chegou ainda lá, mas está no caminho.


Vai sentir-se tão bem por dentro que só poderá concluir que está a ir numa direção muito melhor do que tem tido como cuidador da pessoa com doença de Alzheimer.


Não me interprete mal. Acredito que está a dar o seu melhor. Contudo, com a informação certa tem a oportunidade de desempenhar ainda melhor a sua árdua, desafiante, mas também gratificante tarefa – e realizar um trabalho com cada vez mais qualidade e melhores resultados.


A moral deste artigo hoje é simples e direta: "não há lugar como a nossa casa" – o local onde nos sentimos muito amados, seguros, confiantes. E a cuidadora pode ter um papel essencial no sentimento de “estar na sua casa” da pessoa com demência, quer a pessoa esteja efetivamente na sua casa, noutra casa, ou num lar / estrutura residencial para idosos.



Duas perguntas comuns


“Devo tentar levá-lo para ver a sua antiga casa?” É duvidoso que isso ajude. Na verdade, isso pode fazer com que se sinta ainda mais agitado ou chateado, especialmente se estiver confuso sobre as razões pelas quais se mudou. Além disso, pode até não ser essa “casa” em particular que ele anseia. Pode ser em algum lugar que ele viveu há 50 anos!

Mas se achar que uma viagem pela estrada da memória pode ajudá-lo e esclarecer alguma confusão, pode valer a pena considerar.



“Deveria mentir?” Ninguém quer mentir para uma pessoa com demência mas, se tudo o resto falhar, uma mentira terapêutica pode ser necessária. Lembre-se, o seu objetivo é ajudar o seu ente querido a sentir-se tão calmo e contente quanto possível. Se isso significa dizer "Vamos para casa depois de almoço" ou "Acabámos de perder o autocarro (ônibus), vamos mais tarde", analise e decida se vale a pena.



...Como sabe, adoro ouvir o que têm para me dizer.


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Obrigada por partilhar um pouco de si.




“A arte de Cuidar é a principal parte da arte de trabalhar.” - Diana Luzio Alves



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